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Domingo, 20 de Setembro de 2026

Agro

EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA PARA A CHINA DESPENCAM E EUA ASSUMEM LIDERANÇA EM AGOSTO

Embarques para o mercado chinês caíram 88,2% após o esgotamento da cota da salvaguarda; no acumulado do ano, Brasil já exportou 2,2 milhões de toneladas.

Donizeti
Por Donizeti
EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA PARA A CHINA DESPENCAM E EUA ASSUMEM LIDERANÇA EM AGOSTO
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As exportações brasileiras de carne bovina para a China despencaram em agosto, após o esgotamento da cota estabelecida pela salvaguarda adotada pelo país asiático. Com a forte retração das compras chinesas, os Estados Unidos assumiram a liderança entre os principais destinos da proteína brasileira no mês.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base em números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a China importou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, uma queda de 88,2% em relação ao mesmo mês de 2025.

A receita também recuou de forma expressiva, com redução de 88,6%, para US$ 101,9 milhões.

A queda das vendas para a China contribuiu para que o Brasil registrasse, em agosto, o menor volume mensal de exportação de carne bovina de 2026. Ao todo, foram embarcadas 233,5 mil toneladas, 22,2% menos que no mesmo período do ano passado. A receita chegou a US$ 1,36 bilhão, queda de 15,2%.

COTA CHINESA LIMITA EXPORTAÇÕES

Segundo a Abiec, a forte redução dos embarques para a China está diretamente ligada ao esgotamento da cota estabelecida pela salvaguarda chinesa.

A indústria brasileira avalia que o limite foi totalmente atingido ainda no início de julho, considerando tanto os volumes já desembarcados quanto as cargas que estavam em trânsito.

Essa avaliação é diferente dos cerca de 92% de utilização apontados pelas autoridades chinesas. A diferença ocorre porque a China contabiliza a cota somente no momento do desembarque.

Como uma carga pode levar aproximadamente 40 a 45 dias para chegar do Brasil à China, parte da carne que já deixou os portos brasileiros ainda não aparece nas estatísticas chinesas.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que a redução já era esperada pelo setor. Segundo ele, houve uma antecipação significativa dos embarques para a China durante o primeiro semestre e, com o esgotamento da cota, o fluxo naturalmente diminuiu.

Perosa destacou ainda que o desafio agora é ampliar a presença da carne brasileira em outros mercados.

EUA ASSUMEM A LIDERANÇA

A queda das compras chinesas provocou uma mudança no ranking dos principais destinos da carne bovina brasileira em agosto.

Os Estados Unidos lideraram os embarques, com 35,3 mil toneladas, crescimento de 276% em relação a agosto de 2025. As vendas renderam US$ 226,5 milhões.

Na segunda posição ficou a União Europeia, que importou 23,4 mil toneladas, alta de 108,6%, com receita de US$ 201,9 milhões.

A Rússia comprou 22 mil toneladas, avanço de 54,5%, movimentando US$ 116,8 milhões. Já o Chile importou 17,4 mil toneladas, crescimento de 44,4%, com receita de US$ 108,3 milhões.

Os números indicam uma redistribuição dos embarques brasileiros no segundo semestre, diante da forte redução da demanda chinesa.

EXPORTAÇÕES AINDA CRESCEM NO ANO

Apesar da queda registrada em agosto, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina continua positivo no acumulado de 2026.

Entre janeiro e agosto, o Brasil embarcou 2,202 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita alcançou US$ 12,79 bilhões, alta de 21,7%.

A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira no acumulado do ano. Foram 899,2 mil toneladas destinadas ao mercado chinês, queda de 6,6%, com receita de US$ 5,51 bilhões.

Mesmo com a retração, a China respondeu por 40,8% de todo o volume de carne bovina exportado pelo Brasil entre janeiro e agosto.

Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 269,1 mil toneladas, alta de 28,7%, e receita de US$ 1,74 bilhão.

Na sequência estão o Chile, com 107,3 mil toneladas (+32%); a Rússia, com 96,3 mil toneladas (+29,7%); e a União Europeia, com 87,1 mil toneladas (+26,4%).

NOVOS MERCADOS GANHAM ESPAÇO

A diversificação dos destinos também avançou em mercados que tradicionalmente possuem uma participação menor nas exportações brasileiras.

A Indonésia comprou 55,2 mil toneladas entre janeiro e agosto, crescimento de 259,6%. No Vietnã, os embarques chegaram a 10 mil toneladas, alta de 408,3%. Já a Argentina importou 19 mil toneladas, avanço de 140,1%.

Também houve crescimento nas vendas para o Canadá, com alta de 191,1%; Peru, 84,2%; Jordânia, 51,6%; Arábia Saudita, 24,9%; e Turquia, 12,9%.

Para Roberto Perosa, os números mostram que a carne bovina brasileira vem conquistando espaço em diferentes mercados. Ele destaca que, embora a China continue sendo fundamental para o setor, o crescimento em outros destinos ajuda a reduzir a concentração das exportações e abre novas oportunidades para a indústria brasileira.

FONTE/CRÉDITOS: CANAL RURAL
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